Celeste Amarilla fez comentários racistas contra o astro francês após a eliminação do Paraguai na Copa do Mundo; Federação Francesa promete levar o caso à Justiça.
A classificação da França para as quartas de final da Copa do Mundo ganhou um capítulo fora das quatro linhas. Após a vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, nas oitavas de final, a senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou uma série de ataques racistas contra Kylian Mbappé, protagonista da partida ao marcar o gol da classificação francesa em cobrança de pênalti.

As declarações foram motivadas por um episódio ocorrido após o apito final, quando Mbappé ignorou um cumprimento do goleiro paraguaio Orlando Gill. Nas redes sociais, Amarilla passou a atacar a origem, a aparência e a cor da pele do atacante francês.
Em uma das publicações, a senadora escreveu:
“Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés. Você deveria ter mostrado o dedo do meio para ele, Orlando Gill. Eu faço isso no Senado e nada acontece.”
Em seguida, ela voltou a atacar o jogador:
“Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio. Ficou nervoso e morto de medo o jogo todo. Não conseguiram fazer nem um gol, ganharam por sorte.”

A resposta de Mbappé veio nesta segunda-feira (6), por meio das redes sociais. O atacante condenou as declarações e afirmou que a parlamentar não representa o povo paraguaio.
“Você é uma mulher desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição. Por sua inconsciência e seu racismo descomplexado, o mundo inteiro já esqueceu o percurso e o esforço histórico que seus jogadores realizaram nesta Copa, dando lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país. Eu nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo.”
O caso ganhou repercussão internacional. A Federação Francesa de Futebol anunciou que tomará medidas judiciais contra a senadora, classificando as declarações como “abomináveis” e “criminosas”. A entidade afirmou que manifestações desse tipo representam um ataque não apenas ao jogador, mas também à seleção francesa e aos valores defendidos pelo esporte.
O episódio reacende o debate sobre o racismo no futebol e reforça a necessidade de punições mais severas para manifestações discriminatórias, especialmente quando partem de autoridades públicas.
Foto de capa: Divulgação/França
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