São Januário amplia capacidade, mas ainda não atinge o mínimo exigido pela Conmebol para a semifinal
A Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, nesta sexta-feira (2), a ação do Vasco contra a Fla-Flu Serviços S.A., concessionária que administra o Maracanã. O clube tenta mandar no estádio o jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, marcado para 20 de outubro. A decisão é da juíza Adriana Laia Franco, da 2ª Vara Cível da Capital, segundo o ge.
O QUE DECIDIU A JUSTIÇA
No despacho, a magistrada afirma que o tema já é discutido em outro processo: uma Ação Popular ajuizada por um torcedor vascaíno em 29 de setembro, na 2ª Vara de Fazenda Pública. O pedido liminar dessa ação foi negado em primeira instância, mas o torcedor recorreu ao Tribunal de Justiça, onde o recurso ainda aguarda julgamento.
Para a juíza, embora os processos tenham partes diferentes, os dois tratam da mesma questão: a possibilidade de o Vasco usar o Maracanã na semifinal. Por isso, ela apontou risco de decisões contraditórias.
“O resultado de uma ação necessariamente interfere no resultado da outra (…), impedindo a convivência harmônica entre as demandas”, escreveu.
Como os casos estão em varas com competências diferentes, não foi possível reunir os processos. A ação do Vasco fica suspensa até a definição da Ação Popular. Antes disso, a juíza deu 48 horas para a Fla-Flu Serviços se manifestar sobre o pedido do clube.
POR QUE O VASCO QUER O MARACANÃ
A Conmebol exige estádio com capacidade mínima de 30 mil lugares a partir da semifinal da Sul-Americana. O Vasco entrou na Justiça na quinta-feira (1º), depois de ter o pedido negado pelo consórcio. Na ação, o clube argumenta que a escolha não é só uma preferência.
“A busca pelo Maracanã, portanto, não decorre de mera preferência do VASCO por um estádio de maior capacidade, mas da necessidade de indicar uma praça esportiva que cumpra as exigências da competição para o jogo que o clube tem o direito de sediar no Rio de Janeiro”, defendeu o Vasco em trecho da ação.
A NEGATIVA DO CONSÓRCIO
Liderada por Flamengo e Fluminense, a gestão do Maracanã negou o pedido do Vasco pela terceira vez neste ano. As outras negativas foram para os jogos contra Vitória e Palmeiras, ambos pela Copa do Brasil. O consórcio alega a grande quantidade de partidas e o desgaste do gramado.
Segundo a TNT Sports, o estádio passa por uma troca completa do gramado. A raspagem e a remoção do piso antigo começaram em 28 de setembro, depois do jogo da NFL no Maracanã e de críticas de atletas ao estado do campo. Os novos rolos são do modelo Bermuda Celebration, e o processo está na reta final de acabamento e nivelamento.
Para 2027, a gestão planeja a transição para o modelo Celebration Hybrid, que promete maior resistência ao calendário do futebol.

SÃO JANUÁRIO E NILTON SANTOS
Enquanto a disputa judicial continua, o Vasco tenta outras alternativas. São Januário tem capacidade oficial de cerca de 21,8 mil torcedores, número que pode chegar a 24.155 com a liberação do Corpo de Bombeiros. O laudo também prevê 4 mil lugares para o setor visitante. Para receber o jogo, porém, ainda faltam as autorizações da Polícia Militar e da Conmebol.

Mesmo com a ampliação, o estádio segue abaixo dos 30 mil lugares exigidos. Por isso, o presidente Pedrinho tenta convencer a entidade a abrir uma exceção. O técnico Pedro Emanuel também já declarou a preferência pela casa vascaína:
“Se me perguntassem onde eu quero jogar a semifinal, eu diria São Januário”.

Outra possibilidade é o Estádio Nilton Santos, que aparece como favorito para receber a partida, segundo o jornalista Diogo Dantas, do O Globo. Em entrevista ao jornalista Igor Rodrigues, da cazétv, Pedrinho afirmou que a prioridade do clube é São Januário. A casa do Botafogo, o Nilton Santos, tem gramado sintético e capacidade menor que a do Maracanã.
Foto de capa: Matheus Lima/Vasco
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