Em nota, clube afirma que medida pode gerar prejuízos ao time, afetar outras modalidades esportivas e fortalecer o mercado clandestino
O Fluminense se manifestou nesta sexta-feira (25) contra a proibição das apostas on-line, anunciada pelo governo federal, e pediu um período de transição para os contratos em vigor. Em nota, o clube defendeu que qualquer mudança considere os acordos já firmados.
Com casas de apostas ocupando espaço relevante nos uniformes e nas receitas comerciais dos clubes, a medida abre uma nova discussão no futebol brasileiro e pode afetar diretamente contratos entre empresas e equipes. O Fluminense tem a Superbet como patrocinadora master, em um acordo que pode chegar a R$ 86 milhões por ano considerando bônus, segundo levantamento do Meio & Mensagem.
CONTEXTO GERAL
A presença das bets no futebol cresceu significativamente nos últimos anos. Segundo a Folha de S.Paulo, em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A tinham uma empresa do setor como patrocinadora master. Na temporada atual, o número caiu para 13 equipes, mas os contratos ainda representam cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios.
De acordo com o UOL, as casas de apostas responderam por aproximadamente R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados pelos clubes da Série A em receitas de patrocínio em 2025. O valor representa cerca de um terço de todo o montante comercial obtido pelos clubes com patrocinadores naquele ano.

IMPACTO PARA O FLUMINENSE
No comunicado, o Fluminense argumentou que uma mudança abrupta pode gerar consequências para contratos e investimentos já planejados. O clube citou, inclusive, o estoque de produtos com a marca do patrocinador master que já está nas lojas oficiais.
Além do futebol profissional, o clube destacou que as receitas comerciais também ajudam a financiar categorias de base, futebol feminino e esportes olímpicos.
O posicionamento acontece em meio a uma manifestação mais ampla de clubes brasileiros. Na semana passada, Fluminense, Flamengo, Botafogo, Vasco, Cruzeiro, além de clubes paulistas e outras entidades do futebol, defenderam a manutenção de um mercado regulado e afirmaram que mudanças poderiam provocar perdas financeiras para o esporte.
COMO FUNCIONAVA A REGULAMENTAÇÃO
Até o anúncio desta sexta-feira (25), o Brasil mantinha um mercado regulado de apostas de quota fixa. A atividade havia sido legalizada em 2018 e regulamentada posteriormente pela Lei nº 14.790/2023.
Segundo o governo federal, desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podiam operar nacionalmente. As plataformas autorizadas usavam o domínio “.bet.br”, e o governo acompanhava o setor por meio do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap).
Em julho deste ano, o Ministério da Fazenda também ampliou as regras para publicidade das apostas. Os anúncios passaram a ter que apresentar advertências como “Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” ou “Aposta não é investimento”.
O QUE MUDA AGORA
Com o anúncio desta sexta-feira (25), o governo determinou o encerramento do mercado de apostas on-line. De acordo com o governo federal, os usuários terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão ser bloqueados.
A medida também prevê ações para combater o mercado ilegal, enquanto o governo prepara um projeto de lei com regras mais rígidas para quem operar ou divulgar apostas de forma irregular.

A proibição das bets pode impactar diretamente o futebol brasileiro, que nos últimos anos ampliou a presença de empresas do setor em seus acordos comerciais. No Fluminense, a medida pode afetar contratos já firmados e produtos que ainda levam a marca do patrocinador. Diante do cenário, o clube defende a adoção de um período de transição.
O debate, portanto, deixa de ser apenas sobre a regulamentação das apostas e passa a envolver também a adaptação financeira dos clubes diante do fim de uma das principais fontes de investimento comercial do futebol nacional.
Foto de capa: Reprodução/Fluminense FC
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