Copa do Mundo Feminina será realizada pela primeira vez no Brasil e na América do Sul. (Foto: Divulgação/FIFA)
Plataforma investirá cerca de 200 milhões de dólares pelos direitos de transmissão nos Estados Unidos e Canadá; acordo marca a entrada definitiva da empresa nos grandes torneios esportivos e evidencia o crescimento econômico da modalidade
A Netflix deu mais um passo na expansão de sua estratégia para o mercado de esportes ao vivo ao adquirir os direitos de transmissão da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Segundo a Bloomberg, a plataforma investirá cerca de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) para exibir as partidas nos Estados Unidos e no Canadá. O acordo também contempla a edição de 2031, embora os valores oficiais da negociação não tenham sido divulgados pela empresa nem pela FIFA.
Mais do que ampliar seu catálogo de transmissões, a operação representa um marco para o futebol feminino. Ao apostar em um torneio de seleções como um de seus principais produtos esportivos, a Netflix sinaliza que enxerga a Copa do Mundo Feminina como um ativo estratégico capaz de atrair audiência global e fortalecer sua presença no mercado de eventos ao vivo.
PLATAFORMA AMPLIA PRESENÇA NO ESPORTE AO VIVO
Durante anos, a Netflix concentrou seus investimentos esportivos em documentários de sucesso, como Drive to Survive (Fórmula 1) e Full Swing (Golfe). Mais recentemente, entretanto, a empresa passou a investir em transmissões ao vivo, exibindo partidas da National Football League (NFL) no Natal, lutas de boxe especiais como Jake Paul vs. Mike Tyson e eventos pontuais de tênis e golfe.
A aquisição da Copa do Mundo Feminina representa um novo estágio dessa estratégia. Será o primeiro torneio completo da FIFA exibido pela plataforma, consolidando a entrada da empresa na disputa por direitos de grandes eventos esportivos internacionais.
Quando o acordo foi anunciado, em dezembro de 2024, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, classificou a parceria como um momento histórico para o mercado:
“Este é um momento histórico para os direitos de mídia esportiva. Como uma marca de prestígio e nova parceria de longo prazo da FIFA, a Netflix demonstrou um forte comprometimento com o crescimento do futebol feminino”, declarou o presidente da FIFA.
Além das partidas ao vivo, a empresa produzirá séries documentais exclusivas sobre atletas e seleções classificadas para a competição.
INVESTIMENTO EVIDENCIA CRESCIMENTO DO FUTEBOL FEMININO
Embora o investimento seja inferior ao realizado pela FOX pelos direitos em inglês da Copa do Mundo Masculina de 2026, que desembolsou cerca de US$ 485 milhões, o valor atribuído ao torneio feminino chama atenção pelo estágio de desenvolvimento do mercado.
De acordo com as informações divulgadas pela Bloomberg, a negociação gira em torno de US$ 200 milhões, cifra que coloca a Copa do Mundo Feminina entre os produtos mais valiosos do esporte feminino internacional.
Entre os principais contratos conhecidos da modalidade nos Estados Unidos, apenas a Women’s National Basketball Association (WNBA), liga profissional de basquete do país, movimenta cifras anuais superiores. O novo acordo de direitos de mídia da competição tem valor estimado em cerca de US$ 2,2 bilhões ao longo de onze anos, o que equivale a aproximadamente US$ 200 milhões anuais, e é dividido entre grupos como Disney, NBCUniversal, CBS, Prime Video, ION e USA Network.
No futebol, a diferença é ainda mais significativa. A National Women’s Soccer League (NWSL) assinou um contrato de aproximadamente US$ 240 milhões por quatro temporadas, média de US$ 60 milhões anuais, com os direitos compartilhados entre CBS Sports, ESPN, Prime Video e Scripps Sports.
No caso da Copa do Mundo, até o momento, a Netflix será a única detentora dos direitos exclusivos nos Estados Unidos e Canadá, sem anúncio de sublicenciamento para outras emissoras.
Foto de capa: Divulgação/FIFA
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