Botafogo e Vasco estampam programas de sócio-torcedor no uniforme, enquanto o Flamengo colocaria um protesto na camisa no jogo contra o Santos
Terminou nesta segunda-feira (5) o prazo para que os clubes retirassem as marcas de casas de apostas de uniformes, estádios e canais oficiais. A exigência faz parte da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as bets no Brasil. Com o fim do prazo, 17 dos 20 clubes da Série A estão sem patrocinador máster: 14 perderam empresas de apostas que ocupavam o espaço principal da camisa, e outros três já estavam sem master nesta temporada.
O QUE DIZ A MEDIDA PROVISÓRIA
Publicada em 25 de setembro, a medida proíbe a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no país, modalidade em que o apostador sabe, no momento da aposta, quanto pode ganhar se acertar. Os apostadores tiveram até as 23h59 de segunda-feira (5) para sacar os saldos, mesmo prazo dado aos clubes e às empresas para retirar as marcas. Os sites e aplicativos das bets saíram do ar nesta terça-feira (6).
O governo federal justifica a proibição com o endividamento das famílias e os danos à saúde mental causados pelas apostas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou a decisão como “medida corajosa” e estimou em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social dos danos ligados ao jogo on-line.
Do outro lado, representantes das empresas apontam o risco de migração dos apostadores para plataformas ilegais. Os clubes, por sua vez, alegam perda de receita: segundo levantamento do Estadão, a saída das bets tira entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em patrocínios da Série A.
A medida também muda o nome do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, que tinham casas de apostas como patrocinadoras.
QUEM FICOU SEM MASTER
Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Remo, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória tinham bets como patrocinadoras master e precisaram retirar as marcas. Athletico-PR, Bahia e Internacional já estavam sem empresa no espaço principal da camisa.
Apenas três clubes mantêm o patrocínio master, todos com empresas de fora do setor de apostas. O Red Bull Bragantino segue com a Red Bull, que administra o clube, o Mirassol continua com a Poty, e o Coritiba fechou com a Foxlux até 2027, em acordo anunciado antes da MP.
COMO OS CLUBES REAGIRAM
Sem a VBet, o Botafogo passou a estampar no espaço master do uniforme de treino a marca do Camisa 7, seu programa de sócio-torcedor. O contrato com a casa de apostas ia até o fim de 2027, e a marca do programa pode aparecer também na camisa de jogo, no clássico contra o Vasco, nesta quarta-feira (7). O clube está entre os que recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a proibição e usa como argumento a importância da receita para a SAF, que passa por recuperação judicial.
O Vasco adotou a mesma estratégia. Nas fotos do treino de segunda-feira (5), a Sportingbet deu lugar ao Sócio Gigante, programa de sócio-torcedor do clube. O acordo com a empresa havia sido assinado em julho, com validade até dezembro de 2027, e poderia render até R$ 165 milhões ao Cruz-Maltino. De acordo com o jornal O Dia, a Sportingbet já notificou o clube sobre a possibilidade de rescisão.
O Flamengo, que tinha com a Betano o maior contrato de patrocínio master do futebol brasileiro, de R$ 268,5 milhões por ano, treinou na segunda-feira (5) sem a marca e editou as imagens das camisas no site oficial. Segundo Lucas Jornal, o clube vai usar uma camisa com a frase “Proibir não é proteger” contra o Santos, nesta quinta-feira (8), em protesto contra a MP. O Flamengo ainda não confirmou oficialmente a ação.

Em Minas Gerais, o governo estadual anunciou R$ 15 milhões para Atlético-MG e para Cruzeiro, por meio de patrocínios de estatais como Cemig e Codemge, que vão ocupar espaços publicitários nos uniformes. O acordo prevê contrapartidas como ações voltadas ao futebol feminino e a distribuição de ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda. O América-MG, da Série B, também foi incluído, com R$ 2 milhões.
CLUBES RECORREM AO STF
Os clubes também tentam reverter a medida na Justiça. Na Ação Direta de Inconstitucionalidade 8.024, relatada pelo ministro Luiz Fux, eles pedem a suspensão da MP ou, ao menos, um período de transição que mantenha os contratos de patrocínio até 31 de dezembro de 2026.
Enquanto a decisão não sai, a corrida é por novos parceiros. Fora da elite, o Vila Nova, da Série B, foi o primeiro clube a anunciar um novo patrocinador master após a saída de uma bet: a montadora BYD, com contrato até o fim de 2026.
Foto de capa: Imagem gerada por IA
Descubra mais sobre Cavati TV
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
