(Foto: Charlotte Tattersall/Getty Images)
Quase três anos após a morte de Maddy Cusack, a investigação sobre as circunstâncias que antecederam o falecimento da ex-jogadora do Sheffield United continua sem uma conclusão. O inquérito foi adiado pela segunda vez após a apresentação de novos documentos ao tribunal, e a audiência foi remarcada para o dia 7 de dezembro de 2026.
O caso ganhou repercussão no futebol inglês depois que a família da atleta passou a questionar as condições enfrentadas por Maddy nos meses anteriores à sua morte, levantando dúvidas sobre o ambiente de trabalho no Sheffield e o dever de cuidado do clube com suas jogadoras.
Quem era Maddy Cusack
Maddy Cusack defendia o Sheffield United desde 2019 e entrou para a história do clube ao se tornar a primeira jogadora a alcançar 100 partidas pela equipe feminina. Além da carreira como jogadora, também trabalhava no departamento de marketing do clube desde 2021.
Ao longo de sua carreira, Maddy teve passagens pelo Aston Villa, Birmingham City e Leicester City, chegando a representar a seleção inglesa sub-19 em três ocasiões.
Era considerada uma das maiores referências do Sheffield, conhecida internamente como Miss Sheffield United e garota propaganda do time feminino, apelidos que refletiam sua identificação com a equipe.
A meia-campista morreu no dia 20 de setembro de 2023, aos 27 anos, poucas semanas após o início da primeira temporada em que o elenco feminino passou a treinar em tempo integral. A polícia informou, na época, que não tratava a morte como suspeita.
Como a investigação evoluiu
Poucos dias após a morte da jogadora, a família apresentou uma série de reclamações ao Sheffield. Segundo os familiares, Maddy enfrentava intensas dificuldades relacionadas ao ambiente de trabalho, resultado do relacionamento profissional com o então treinador Jonathan Morgan, que já tinha trabalhado com ela no Leicester.
De acordo com a queixa, os problemas teriam se intensificado após a chegada de Morgan ao clube, em fevereiro de 2023. A família afirma que a atleta passou a adoecer devido à ansiedade, o que a levou a buscar acompanhamento médico e psicológico e a retornar à casa dos pais nos meses que antecederam sua morte.
Morgan nega as acusações e afirma que sempre procurou apoiar Maddy, classificando como infundada qualquer sugestão de que sua conduta tenha contribuído para o sofrimento da jogadora.
As alegações levaram o Sheffield a abrir uma investigação independente sobre o caso de Maddy, que concluiu não haver evidências de irregularidades. Paralelamente, a Federação Inglesa de Futebol (FA) instaurou uma investigação própria para avaliar se havia elementos que justificassem medidas disciplinares dentro do futebol. O relatório produzido pela entidade foi posteriormente encaminhado ao legista responsável pelo inquérito.
O que examina o inquérito
Diferentemente da apuração conduzida pela FA, o inquérito não busca responsabilizar disciplinarmente pessoas ou instituições. Seu objetivo é reconstruir as circunstâncias da morte de Maddy e analisar se houve falhas institucionais relacionadas ao bem-estar da atleta.
Desde o início das audiências, familiares, ex-companheiras de equipe, profissionais de saúde e funcionários do Sheffield prestaram depoimentos sobre a rotina da jogadora, sua carga de trabalho, o relacionamento com a comissão técnica e o suporte oferecido pelo clube.
Por que o inquérito foi adiado
As audiências começaram em 29 de junho e estavam próximas do encerramento quando novos documentos foram apresentados ao tribunal. Diante do novo material, a legista responsável pelo caso decidiu suspender o processo para permitir a análise das informações e a convocação de novos depoimentos.
Este é o segundo adiamento do inquérito em 2026. Inicialmente, a audiência estava marcada para janeiro, mas foi remarcada após a família receber centenas de páginas de documentos poucos dias antes do início previsto do processo.
Sem uma conclusão, o caso segue em aberto e continua levantando questionamentos sobre o ambiente de trabalho no futebol feminino e os mecanismos de proteção oferecidos às atletas.

Foto de capa: Charlotte Tattersall/Getty Images
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